Criança brincandoA brincadeira é a linguagem fundamental das crianças, especialmente durante a primeira infância. Muito mais do que do um passatempo ou uma simples atividade lúdica, é por meio das brincadeiras que as crianças se aproximam, se encontram, interagem, descobrem e experimentam o mundo.

Boa parte da rotina das crianças é dedicada à brincadeira. O brincar não está apenas nas bonecas e nos carrinhos, nas cabanas e nos castelos de areia, mas também nos livros, nas histórias, nos filmes, nos desenhos, nas músicas e nas tarefas cotidianas… Enfim, em tudo aquilo que de alguma forma faz parte da infância. Afinal, é brincando que as crianças se desenvolvem e aprendem. 

Na escola isso não é diferente. A brincadeira é a base do dia a dia da Educação Infantil e é a partir dela que os aprendizados vão sendo construídos. A grande particularidade do contexto escolar, no entanto, é que diferentemente da brincadeira que acontece em casa, no parque ou na praia, há sempre um planejamento e um acompanhamento muito cuidadoso por parte dos professores e professoras.

Isso não quer dizer que as crianças não tenham liberdade para criar, imaginar e brincar de forma espontânea. Muito pelo contrário, esses momentos também possuem uma função muito importante. Mas o olhar atento e a preparação do corpo docente são essenciais para que as brincadeiras na escola ganhem direcionamento e sejam dotadas de intenção pedagógica, favorecendo o desenvolvimento dos alunos e alunas.

Neste sentido, o educador é alguém capaz de apoiar as brincadeiras e enriquecê-las ainda mais, apresentando propostas que incentivem as crianças a se relacionarem com certos temas ou a realizarem determinadas atividades que colaborem com as suas necessidades de aprendizagem. Assim, é possível contribuir para que as interações sejam mais qualificadas, colaborarem com a convivência, desafiem os pequenos a enfrentar seus próprios medos e desafios, provoquem sentimentos e emoções, despertem a curiosidade, incentivem o contato com o diferente e desenvolvam autonomia, moral e intelectual. 

Para que tudo isso aconteça, é preciso que haja diversidade nas propostas, nos materiais, nos ambientes e nos contextos nos quais as crianças são convidadas a brincar. Porém, aqui há também um elemento chave: a escuta. É por meio da observação e da escuta que os adultos podem tornar as brincadeiras ainda mais relevantes do ponto de vista da educação.

É por isso que no ambiente escolar há sempre um professor ou uma professora por perto, conduzindo ou simplesmente prestando atenção na maneira pela qual as brincadeiras acontecem. Ao reparar como cada criança interage, pensa e se relaciona, seja com os seus colegas ou com as próprias brincadeiras em si, é possível propor e planejar atividades que estejam profundamente conectadas com as turmas e suas demandas, além, é claro, dos traços específicos de cada faixa etária. 

Quanto mais atenta for a percepção do educador, mais ele terá condições de ajudar na ampliação do repertório de seus alunos e alunas, criando oportunidades e abrindo novas possibilidades de diálogo. E, dessa forma, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, capazes de fazerem intervenções mais ativas no mundo e em nossa sociedade. 

Porém, é preciso notar que essa escuta ativa acontece não somente em relação às palavras, mas também a partir de todos os pequenos gestos das crianças. A escuta se dá nas falas e nos comentários, mas igualmente nas escolhas, no choro e até mesmo nos silêncios. É preciso observar as sutilezas e estar sempre atento, pois os mais singelos sinais podem ser também os mais significativos.  

A capacidade de transformar essa percepção minuciosa em atividades pedagógicas é o que faz com que as brincadeiras na escola sejam bem planejadas e que a ludicidade se torne ainda mais potente e propositiva. Para propiciar novas situações e inserir novos elementos no brincar, é preciso primeiro escutar as necessidades das crianças.

Mas como isso de fato acontece no cotidiano escolar? Quais são as estratégias de escuta construídas pelos professores e professoras para observar as brincadeiras? Como é possível propor dinâmicas instigantes e desafiadoras para as crianças? 

Este foi tema da conversa que tivemos com a pedagoga e especialista na arte do brincar Adriana Friedmann. O encontro faz parte do evento “Onde tudo começa? – A escola e a família no centro do desenvolvimento infantil”, organizado pela Bahema Educação e pelo Centro de Formação da Vila.

Confira os melhores momentos!

Leia a Revista Onde Tudo Começa, com textos das escolas participantes do evento organizado pela Bahema Educação:

 

Eloiza Schumacher Corrêa (Diretora Pedagógica)
Filipe Gattino (Coordenador Fundamental 1)
Luciana Paulo Corrêa (Coordenadora Infantil)